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  Na crise, fazer faculdade nem sempre é a melhor opção
Na crise, fazer faculdade nem sempre é a melhor opção

Na crise, fazer faculdade nem sempre é a melhor opção

Na cabeça do brasileiro, passar no vestibular, frequentar uma universidade e receber um diploma de graduação são os primeiros passos para construir uma carreira de sucesso, com status e boa renda. A realidade, porém, apresenta um quadro bem diferente. Há um volume considerável de desempregados com nível superior, ainda mais em tempos de crise econômica. Também não faltam pessoas que fizeram faculdade, mas se sujeitam a subempregos que nada têm a ver com a sua formação original.

Enquanto sobram bacharéis no mercado, os recrutadores suam a camisa para “caçar” profissionais de nível técnico — desde que eles tenham certas competências, é claro. Segundo estudo da FGV em parceria com o Conselho das Américas (COA) e a Fundação JP Morgan Chase, cerca de 40% das empresas sofrem para contratar técnicos no Estado de São Paulo, porque faltam candidatos com os requisitos necessários para preencher essas vagas.

Em outras palavras, mesmo num cenário de forte desemprego, sobram postos de trabalho para técnicos bem preparados e munidos de competências socioemocionais, apontadas pelo estudo como as mais escassas no mercado.
A chave para se dar bem no mercado de trabalho é abrir o leque de opções e considerar formações menos tradicionais. Combater a tradição do brasileiro fixada na ideia de ter um diploma de graduação. Às vezes, acaba se formando em áreas como administração ou direito, que não são tão solicitadas pelo mercado atualmente.

Diante dessa situação, uma possível saída para os jovens — os mais atingidos pelo desemprego — é considerar a possibilidade de fazer um curso técnico, nem que seja temporariamente. A área de TI (Tecnologia da Informação), sobretudo, é uma das mais aquecidas no momento. Abrir a cabeça para outras possibilidades de educação e trabalho, que também inclui o empreendedorismo, pode ajudar a tirar o Brasil da crise. A falta de mão de obra qualificada para determinadas funções contribui (e muito) para o atraso da economia.

Comparação: superior x técnico
Obter um diploma de nível superior segue sendo uma conquista importante na vida de qualquer profissional. Entre outras vantagens, a graduação ainda traz um aumento salarial significativo. Quem fez faculdade ganha em média de 20% a 30% mais do que quem não fez, embora haja muitas variáveis, tais como tipo de curso, qualidade da instituição de ensino e perfil do indivíduo.

Por outro lado, o curso universitário demora mais tempo do que o técnico, pode ser mais caro e, dependendo da área de estudo, nem sempre se traduz em boa empregabilidade. Desde que emitido por uma escola de qualidade, o diploma técnico tem a vantagem de permitir uma entrada mais rápida no mercado de trabalho.Também há mais oportunidades de crescimento para quem faz um curso voltado para setores dinâmicos, como tecnologia e saúde.

Em 2015, 8,7% dos jovens brasileiros aderiram ao ensino técnico concomitante ao ensino médio. É pouco, especialmente em comparação a outros países latinos como Colômbia (28%) e México (38%), ou nações desenvolvidas como Suíça (62%) e Áustria (71%). Os dados são do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).


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